segunda-feira, 23 de abril de 2012

DL2012: O sonho da aldeia Ding – Yan Lianke


Esta postagem é parte do Desafio Literário 2012, que no mês de abril tem o tema Escritor Oriental.


SINOPSE: Um dos mais importantes escritores chineses contemporâneos — e um dos mais ferrenhos críticos da censura em seu país —, Yan Lianke recorre à sátira para criar tramas inspiradas nas idiossincrasias de seus compatriotas. Após o sucesso de A serviço do povo, banido na China por achincalhar o regime de Mao Tsé-Tung, ele retorna com outro tema polêmico: a comercialização de sangue humano.


Com base em três anos de pesquisa sobre o tráfico de sangue em sua província natal, Henan, O SONHO DA ALDEIA DING é uma elegante tour de force literária. Um livro que confirma o talento de Lianke e, ao mesmo tempo, se coloca como uma dura e concisa observação do subdesenvolvimento no interior da China. A partir de uma pequena vila, onde o sangue é comprado e vendido livremente, e com terríveis conseqüências, o autor cria um romance que ilustra como a busca por riquezas drena os recursos naturais e contamina a vida da população.
A partir do pequeno Qiang, um inocente menino morto aos 8 anos, a história da vila da Aids é contata despretensiosamente. Na província de Henan, início dos anos 1990, habitantes de vilarejos pobres se veem seduzidos pela perspectiva de deixar a pobreza para trás. Tudo a um custo aparentemente baixo: a venda do próprio sangue. Logo doadores e coletores de plasma iniciam um ciclo desenfreado, sem se preocupar com o uso de agulhas esterilizadas.
Desde a discórdia entre os moradores até o estabelecimento de uma ordem intrínseca ao vilarejo — e alienada ao governo — o menino, assassinado em decorrência do enriquecimento do pai com o esquema de coleta de sangue, expõe as falhas de caráter e as virtudes dos aldeões. Somos levados a questionar o que é certo e o que é errado dentro do caos provocado pelo próprio governo. A ética se inverte, e segundo uma moral própria os grupos de sobreviventes farão o possível para se proteger e garantir uma morte digna. (Editora Record)


Escolher o livro deste mês para o DL foi difícil. Não que eu tivesse poucas opções, pelo contrário, mas não estava no clima para nenhum dos livros que tinha escolhido quando fiz a lista no final do ano passado (este é o problema de escolher as leituras tão antecipadamente...). Acabei encontrado este em uma promoção na Fnac, e como já fazia parte da minha lista de desejados há algum tempo, resolvi dar uma chance.


O livro conta a história de um pequeno vilarejo na província de Henan, a aldeia Ding, onde no início dos anos 1990 o sangue de seus cidadãos passou a ser comercializado como se fosse uma mercadoria qualquer. O povo, atraído pela possibilidade de ter uma vida mais confortável com acesso a bens de consumo e melhorar suas casas, aceita vender seu sangue sem se preocupar com a quantidade ou em seguir normas de higiene. Mas a ilusão da riqueza fácil é quebrada quando surge uma epidemia de AIDS afetando aqueles que venderam seu sangue. Os mais afetados são justamente os mais pobres, que não recebem o apoio do estado. O autor mostra os conflitos éticos trazidos pela pobreza extrema aliada ao desejo de enriquecimento, e revela como a ganância termina por contaminar a vida na China. A narrativa é um tanto quanto irregular. Alterna momentos extremamente poéticos com alguns bastante enfadonhos. É um livro triste. Chocante. Não tanto pelas cenas descritas, mas por revelar as atrocidades que um governo pode cometer com seu povo.


2 comentários:

  1. A tragédia é tão marcante no ideário chinês que narrativas do tipo são a tônica da literatura desse país. Dica anotada!

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    1. É verdade Vivi, mas diria que isso é comum a todo a literatura de todo o Oriente. É muito difícil (quase impossível) encontrar uma lietura mais "leve" vinda daquela parte do mundo. Mas sem dúvida é uma livro que apesar de não ser uma obra prima, vale a pena ser lido

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