domingo, 30 de dezembro de 2012

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Melhores leituras de 2012


 
Foi bem difícil escolher os melhores livros do ano, mas acho que estes foram os mais marcantes por uma razão ou outra. Não incluí releituras, pois seria injusta neste caso já que este ano reli três dos meus livros favoritos da vida.
 
PALESTINA – JOE SACCO
Li muitos quadrinhos este ano (na verdade foi o ano em que descobri os quadrinhos de fato). E sem dúvida posso dizer que Sacco se tornou meu quadrinista favorito. Trata-se de um reportagem investigativa sobre a Palestina em forma de quadrinhos; O autor retrata a Palestina, mostrando aspectos de sua cultura e alterando a imagem estereotipada que temos dos árabes, mas o faz com humor, sarcasmo e ironia na dose certa, sem que, com isso, a obra perca a seriedade do assunto que ela envolve.
 
FESTA NO COVIL – JUAN PABLO VILLALOBOS
Assustador e cômico. Essas duas palavras descrevem com perfeição o que é este livro que narra um mundo extremamente violento pelos olhos de uma criança. Impressionante
 
 
 
AS INCRÍVEIS AVENTURAS DE KAVALIER & CLAY – MICHAEL CHABON
O romance conta a história de dois primos judeus, Kavalier e Klayman, jovens artistas que durante o ano de 1939 criam um novo herói de quadrinhos, influenciados pelo sucesso do Super-Homem. A “época de ouro” dos quadrinhos é o pano de fundo da trama, já que os protagonistas criam um dos heróis mais famosos da época “O Escapista”. Falando assim pode parecer uma história simples e até boba, mas o livro é uma grande tragédia. Em suas páginas muitas surpresas e reviravoltas estão escondidas, bem como muitos momentos que convidam o leitor à reflexão. Outro grande trunfo do livro são os personagens: densos, complexos e muito bem construídos.  Vale a leitura mesmo para aqueles que não gostam de quadrinhos.
  
GRANDES ESPERANÇAS – CHARLES DICKENS
A escrita de Dickens é absolutamente encantadora, poucas vezes me envolvi tão profundamente com um personagem como o fiz com Pip. É possível sentir cada uma de suas dores, compartilhar seu remorso e se revoltar com tamanha crueldade com que ele é tratado. É um livro triste, mas poucas vezes li um livro tão belo. Com certeza lerei mais obras do autor.
 
 
LIVRO – JOSÉ LUÍS PEIXOTO
A maior surpresa e a melhor leitura do ano (e uma das melhores da vida). Quando o comprei não sabia NADA sobre a história ou sobre o autor, mas quando comecei a ler fiquei simplesmente apaixonada. “Livro” conta a história de Ilídio e Adelaide primeiramente em um ambiente rural que atravessa os anos miseráveis da ditadura salazarista e depois a imigração para a França.
A história é claramente dividida em duas partes, que são quase com livros distintos, tamanha a capacidade do autor de mudar o tom da narrativa. Ele brinca com o narrador e o leitor de forma encantadora. Não posso falar muito além disto para não estragar a experiência de quem decidir se aventurar por estas páginas deliciosas. 
PS: Também li “Nenhum olhar” e fiquei encantada da mesma forma, mas não achei justo  colocar dois livros do mesmo autora na lista. Mas que ele merece, isso merece.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Música para os ouvidos #1

Para começar os trabalhos nada melhor que uma pequena demonstação do que é uma banda que realmente se importa com a música.
Sim, é a minha banda favorita e está comigo há apenas metade da minha vida.
Com vocês: PEARL JAM




PS: Não estranhem se eles aparecem por quai muitas e muitas vezes...

Música para os ouvidos #Apresentação.

Nova seção por aqui.
Pode parecer redundante falar em "Música para os ouvidos", mas não! Em um mundo em que cada vez mais as músicas parecem desprovidas de alma e que a única coisa que conta é o visual, danças ou bailarinos, grandes figurinos, pirotecnia ou atitudes polêmicas... enfim um mundo em que a MÚSICA na verdade parece ser o que menos importa, este é um espaço para aqueles que ainda dão valor aquilo que realmente importa.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

E a felicidade reina por aqui hoje. Por que?


A volta dos que não foram

Hora de tirar a poeira e recomeçar!
Como sempre deixei claro este blog não tem pretensão alguma. É apenas um espaço para colocar minhas opiniões, desabafos ou o que mais me vier a cabeça.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Em manutenção


Sim o blog vai voltar em breve. Estou me programando e modificando algumas coisas.

sábado, 25 de agosto de 2012

DL2012: Histórias Extraordinárias – Edgar Allan Poe

Esta postagem é parte do Desafio Literário 2012, que no mês de agosto tem como tema Terror.

SINOPSE: “O homem sempre sentiu medo, sobretudo daquilo que não pode entender,do incerto e — porque não dizer — do proibido. Talvez por isso o horror tenha algo que nos afaste, mas que também nos atraia e nos deixe fascinados. E foi desbravando essa estranha e ambígua sensação que o contista, crítico e poeta norte-americano Edgar Allan Poe se consagrou como um dos mestres do gênero do terror e o pai da literatura policial. Ambientes sombrios, ruas desertas, esquinas escuras, mansões malditas, assassinatos misteriosos e personagens sobrenaturais compõem a atmosfera gótica que tanto marcou suas histórias de terror. Poe detém o poder de envolver o leitor desde a primeira frase. Ele nos conduz pelo conto, deixando escapar apenas o que devemos saber naquele momento, mantendo o suspense até o desfecho invariavelmente inesperado. Mas sua fina ironia, seu sarcástico humor e suas inigualáveis lógicas e sagacidade também são elementos que cunharam a obra desse homem que influenciou de forma decisiva o conto moderno de horror. Ler as histórias de Edgar Allan Poe nos faz regressar aos tempos de infância, em que os maiores medos despertavam o horror, mas também deixavam um estranho desejo de sentir o corpo arrepiar, só mais uma vez. Uma experiência inigualável.”

 

“Histórias extraordinárias" é uma coletânea de contos publicados no século XIX e foi o meu primeiro contato com Poe. A escrita do autor  é extremamente refinada e detalhista, mas em nenhum momento isto torna a leitura pesada ou desagradável. Ao contrário de grande parte das histórias escritas atualmente, aqui o terror não vem de uma criatura ou algo do gênero, mas sim dos próprios medos e dramas psicológicos dos personagens. Mas confesso que em nenhum momento da leitura fiquei realmente com medo (afinal esse é o objetivo do terror não?), então o livro perdeu alguns pontos por isso. Mas o livro é de fato muito bom.

domingo, 22 de julho de 2012

Se eu fechar os olhos agora - Edney Silvestre (DL2012)




Esta postagem é parte do Desafio Literário 2012, que no mês de julho tem como tema o Prêmio Jabuti.

SINOPSE: Numa pequena cidade da antiga zona do café fluminense, em abril de 1961, no dia em que Yuri Gagarin saiu da órbita terrestre, descortinando um universo de possibilidades para a humanidade, dois meninos de 12 anos de classe média baixa, um filho de ferroviário, outro de açougueiro, encontram o corpo de uma linda mulher, que foi morta e mutilada, às margens de um lago onde vão fazer gazeta. Eles não aceitam a explicação oficial do crime, segundo a qual o culpado seria o marido, o dentista da cidadezinha, motivado por ciúme. Ele era frágil demais para o ato necessário a tanta devastação. Começam uma investigação ajudados por um velho que mora no asilo da cidade, um ex-preso político da ditadura Vargas. Acabam descobrindo não só a verdade sobre o crime mas também toda a hipocrisia de uma cidade de coronéis que, mesmo numa época em que o Brasil caminha para a industrialização, tentam a qualquer custo manter o poder absoluto. Para os meninos, um terrível caminho de amadurecimento e chegada à vida adulta.


O livro em questão ganho o Prêmio Jabuti em 2010 na categoria de Melhor Romance. Escolhi esse livro meio que ao acaso. Fiquei intrigada com toda a polêmica que causou na época da premiação aliada a certa preguiça (que feio!!) para fazer uma pesquisa para o tema.

E o que aconteceu?

Simplesmente não rolou...

Não sei dizer se o problema é com o livro ou se sou eu que não estou no momento certo para lê-lo, mas a verdade é que não consegui me conectar de forma alguma com a história, com os personagens...  e enfim...  acabei fazendo algo muito raro: abandonei o livro. Assumo.  

Talvez dê uma nova chance para ele no futuro... Porque infelizmente não foi dessa vez.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

DL2012 - O fim da eternidade- Isaac Asimov


 Esta postagem é parte do Desafio Literário 2012, que no mês de junho tem como tema Viagem no tempo.






SINOPSE: Andrew Harlan é um Eterno: membro de uma organização que monitora e controla o Tempo. Um Técnico que lida diariamente com o destino de bilhões de pessoas no mundo inteiro: sua função é iniciar Mudanças de Realidade, ou seja, alterar o curso da História. Condicionado por um treinamento rigoroso e por uma rígida autodisciplina, Harlan aprendeu a deixar as emoções de lado na hora de fazer seu trabalho.
Tudo vai bem até o dia em que ele conhece a atraente Noÿs Lambent, uma mulher que abala suas estruturas e faz com que passe a rever seus conceitos, em nome de algo tão antigo quanto o próprio tempo: o amor. Agora ele terá de arriscar tudo - não apenas seu emprego, mas sua vida, a de Noÿs e até mesmo o curso da História.



O fim da eternidade conta a história de uma sociedade que usa das descobertas das viagens no tempo para estabelecer a Eternidade e faz alterações no tempo para garantir o bem estar da humanidade.  Ao contrario da maioria dos livros de ficção científica o fio condutor da história é uma história de amor.

Vou ser bem sincera. Não gostei do livro. Especialmente o início é confuso e cansativo. As descrições são desinteressantes e por vezes tediosas. O ritmo melhora um pouco nos capítulos finais, apesar do final um tanto quanto clichê. Mas ainda assim não me conquistou.

Obs: Nada do que eu escrevesse aqui poderia ser um spolier maior do que o próprio título do livro. Falta de criatividade?



terça-feira, 1 de maio de 2012

DL 2012: Os ossos das colinas – Conn Iggulden



Esta postagem é parte do Desafio Literário 2012, que no mês de maio tem como tema Fatos  históricos.

Sinopse: Temujin dos lobos, o menino que nasceu das planícies da Ásia Central, apresentado ao público em O lobo das planícies e Os senhores do arco, tornou-se Gêngis Khan, o poderoso líder de uma nação fruto da união de tribos rivais, e guerreiro vitorioso na longa guerra contra os jin. Agora o inimigo surge do oeste das planícies da Mongólia. Suas caravanas são expulsas, seus emissários são mortos ou mutilados e suas tentativas de negociação, repelidas.

Assim, Gêngis e seus exércitos, liderados por seus filhos e irmãos, embarcam em uma grande viagem através dos atuais Irã e Iraque e pela costa do Mediterrâneo. Conquistando cidade após cidade, um império após outro, por meio da guerra, do medo e da persuasão, o poder mongol domina toda a região.

O grande cã construiu um império maior do que qualquer outro homem. Durante essas campanhas, seus filhos e irmãos disputavam o favoritismo, o direito de liderar o mais bem-sucedido de seus exércitos e de realizar as maiores conquistas, para ser escolhido como sucessor.

Gêngis já provou ser um grande guerreiro. Agora, seu desafio é mostrar-se um governante e líder excepcional para seu povo, alguém que possa coordenar sua sucessão sem sobressaltos. Sua estratégia – descobrir novos territórios, cobrar tributos dos povos conquistados e devastar as cidades que resistem – é uma forma de dispersar as rivalidades entre os herdeiros e ajudar a definir aquele que será o próximo cã.

Das terras férteis dos jin até as áridas rochas do Afeganistão, mesclando ficção e acurada pesquisa histórica, Iggulden tece um épico fascinante sobre o conquistador mais enigmático da história, aqueles que o temiam, aqueles que o desafiaram e aqueles cujos ossos deixou para trás. (Editora Record)

Mais um livro que não estava na minha lista original do Desafio Literário para este mês, embora planejasse lê-lo ainda este ano. Só que me deu uma super vontade de ler esse livro recentemente, então já que ele se encaixava perfeitamente no tema, por que não unir o útil ao agradável?
Os ossos da colinas” é o terceiro livro da série “O conquistador” na qual o autor Conn Iggulden reconta a história do imperador mongol Gêngis Khan e seus descendentes.
 Primeiro deixe-me contar um pouquinho a minha relação com a série. Fui descobri-la há uns dois anos (na época do lançamento do segundo livro), e como sou apaixonada por ficção histórica, especialmente se tratar de temas pouco comuns, fiquei muito interessada afinal, quantos livros você já viu que falem sobre o Império Mongol? Então comprei o primeiro livro, “O lobo das planícies”. Só que quando ele chegou acabou ficando “encostado” na estante por um bom tempo, até que quase um ano depois resolvi dar uma chance e lê-lo e a minha primeira reação foi “Por que eu demorei tanto para ler isso???”. Simplesmente me apaixonei pelo livro e pela narrativa do autor. E fui correndo comprar os outros livros e minha impressão com o segundo livro (Os senhores do arco) se manteve nas alturas. Só que resolvi dar um intervalo para ler o terceiro livro para não acabar me cansando do tema (sempre faço isso ao ler séries ou livros de um mesmo autor). E então agora finalmente chegou a hora de “Os ossos das colinas”.

ATENÇÂO: A resenha pode conter spoilers para quem não leu os primeiros livros da série.

Em “O lobo das planícies” acompanhamos o menino Temugin, que na sua infância era filho do Khan de uma importante tribo e após a morte do pai se vê expulso de sua tribo junto com sua família, sem abrigo sem comida o menino é obrigado a lutar pela vida. Mas Temugin sobrevive e se torna um comandante de um exército e toma uma decisão que mudaria a história. O jovem comandante percebe que o que sempre enfraqueceu o povo mongol foi sua desunião, provocada pelo Império Jin (atual China), e resolve então unir seu povo em uma única grande nação e para isso torna-se o cã do mar de capim: Gêngis Khan. Já em “Os senhores do arco” vemos Gêngis reunindo todas as tribos em uma só, enfrentando guerras e as muralhas das cidades Jin na tentativa de ampliar seus domínios. Além de enfrentar o inimigo ancestral, ele precisa lidar com os ressentimentos entre as antigas tribos, mediar os conflitos entre seus irmãos ambiciosos Kachium e Khasar e enfrentar seus próprios conflitos internos ao ver os filhos crescendo.
No terceiro livro temos um Gêngis já envelhecido e que abandona a batalha contra um Império Jin praticamente derrotado para lutar nas terras árabes, enfrentando um inimigo forte, que está sob o comando do grande Xá, e uma cultura dominada pelo Islamismo, que Gêngis não consegue compreender.  As batalhas mais uma vez são descritas com perfeição que você quase pode sentir-se dentro delas, sentir o cheiro de sangue, do suor e da morte.
Um dos pontos mais interessantes aqui é a disputa entre os filhos de Gêngis para quem o irá suceder no comando do grande império mongol. Afinal o próprio Khan se sente dividido entre Jochi (considerado quase um bastardo e tratado com extrema frieza e ás vezes até com crueldade) e Chagatai (que apesar de ser muito parecido fisicamente com o pai é um não tem o mínimo de caráter), além dos filhos menores, mas que são considerados muito jovens para entrar nessa disputa. E está guerra interna tomará proporções impensáveis.
Não vou entrar mais em detalhes para não correr o risco de contar spoilers. Mas só posso dizer uma coisa sobre este livro e os outros: é sensacional. LEIAM!!! Não há como não se encantar.

OBS: A série ainda possui outros dois livros “Império da prata” e “Conqueror” (este último ainda sem tradução no Brasil)



segunda-feira, 23 de abril de 2012

DL2012: O sonho da aldeia Ding – Yan Lianke


Esta postagem é parte do Desafio Literário 2012, que no mês de abril tem o tema Escritor Oriental.


SINOPSE: Um dos mais importantes escritores chineses contemporâneos — e um dos mais ferrenhos críticos da censura em seu país —, Yan Lianke recorre à sátira para criar tramas inspiradas nas idiossincrasias de seus compatriotas. Após o sucesso de A serviço do povo, banido na China por achincalhar o regime de Mao Tsé-Tung, ele retorna com outro tema polêmico: a comercialização de sangue humano.


Com base em três anos de pesquisa sobre o tráfico de sangue em sua província natal, Henan, O SONHO DA ALDEIA DING é uma elegante tour de force literária. Um livro que confirma o talento de Lianke e, ao mesmo tempo, se coloca como uma dura e concisa observação do subdesenvolvimento no interior da China. A partir de uma pequena vila, onde o sangue é comprado e vendido livremente, e com terríveis conseqüências, o autor cria um romance que ilustra como a busca por riquezas drena os recursos naturais e contamina a vida da população.
A partir do pequeno Qiang, um inocente menino morto aos 8 anos, a história da vila da Aids é contata despretensiosamente. Na província de Henan, início dos anos 1990, habitantes de vilarejos pobres se veem seduzidos pela perspectiva de deixar a pobreza para trás. Tudo a um custo aparentemente baixo: a venda do próprio sangue. Logo doadores e coletores de plasma iniciam um ciclo desenfreado, sem se preocupar com o uso de agulhas esterilizadas.
Desde a discórdia entre os moradores até o estabelecimento de uma ordem intrínseca ao vilarejo — e alienada ao governo — o menino, assassinado em decorrência do enriquecimento do pai com o esquema de coleta de sangue, expõe as falhas de caráter e as virtudes dos aldeões. Somos levados a questionar o que é certo e o que é errado dentro do caos provocado pelo próprio governo. A ética se inverte, e segundo uma moral própria os grupos de sobreviventes farão o possível para se proteger e garantir uma morte digna. (Editora Record)


Escolher o livro deste mês para o DL foi difícil. Não que eu tivesse poucas opções, pelo contrário, mas não estava no clima para nenhum dos livros que tinha escolhido quando fiz a lista no final do ano passado (este é o problema de escolher as leituras tão antecipadamente...). Acabei encontrado este em uma promoção na Fnac, e como já fazia parte da minha lista de desejados há algum tempo, resolvi dar uma chance.


O livro conta a história de um pequeno vilarejo na província de Henan, a aldeia Ding, onde no início dos anos 1990 o sangue de seus cidadãos passou a ser comercializado como se fosse uma mercadoria qualquer. O povo, atraído pela possibilidade de ter uma vida mais confortável com acesso a bens de consumo e melhorar suas casas, aceita vender seu sangue sem se preocupar com a quantidade ou em seguir normas de higiene. Mas a ilusão da riqueza fácil é quebrada quando surge uma epidemia de AIDS afetando aqueles que venderam seu sangue. Os mais afetados são justamente os mais pobres, que não recebem o apoio do estado. O autor mostra os conflitos éticos trazidos pela pobreza extrema aliada ao desejo de enriquecimento, e revela como a ganância termina por contaminar a vida na China. A narrativa é um tanto quanto irregular. Alterna momentos extremamente poéticos com alguns bastante enfadonhos. É um livro triste. Chocante. Não tanto pelas cenas descritas, mas por revelar as atrocidades que um governo pode cometer com seu povo.


domingo, 18 de março de 2012

Você também deveria ler...

Resenha incrível no Mob Ground sobre um livro excepcional: A menina que roubava livros.
Não deixem de ler, mas principalmente LEIAM o livro.

Keep clam and...

Agora que a palalhaçada do ecad acabou. Voltamos a nossa programação normal de músicas.




domingo, 11 de março de 2012

Criança 44 - Tom Rob Smith (Desafio Literário 2012)

Esta postagem é parte do Desafio Literário 2012, que no mês de março tem como tema Serial killers.

SINOPSE: No livro, Smith leva o leitor de volta à opressora Rússia de Stalin. União Soviética, 1953. A mão de ferro de Stalin nunca esteve tão impiedosa, reforçada pela Segurança do Estado - polícia secreta cuja brutalidade não é segredo para ninguém. Em seu governo, o líder soviético faz o povo acreditar que crimes simplesmente não existem.

Mas quando o corpo de um menino é encontrado nos trilhos de uma ferrovia, Liev Demidov - herói de guerra e agente do Estado - se surpreende ao saber que a família da vítima tem a certeza de que a criança fora assassinada. Os superiores do oficial ordenam que ignore a suspeita, e ele é obrigado a obedecer. Mas o agente desconfia de que há algo muito estranho por trás do caso.

De uma hora para outra, Liev coloca em dúvida sua confiança nas ações e políticas do Partido. E agora, arriscando tudo, o agente se vê na obrigação de ir atrás do assassino - mesmo sabendo que está prestes a se tornar um inimigo do Estado.


O livro narra a trajetória do investigador Liev em busca do autor do assassinato de diversas crianças na União Soviética. O pano de fundo histórico do livro é muito bem descrito. Mostra os horrores do regime comunista e como a vida das pessoas era dura, cruel e constantemente guiada pelo medo.

No início temos um Liev considerado herói da guerra e um dos mais importantes investigadores secretos do país, um homem que acredita piamente no Estado soviético e que cumpre cegamente suas ordens, fossem elas perseguir, prender, torturar ou até matar. Assim, quando o filho de um de seus subordinados é encontrado morto, Liev é escolhido para “acalmar” a família, pois está acredita que o menino foi assassinado, o que gera um problema para o governo já que de acordo com este não existiam crimes, muito menos assassinatos.

Mas tudo muda para Liev, quando este se depara com os corpos de outras crianças mortas de forma muito semelhante. È a partir daí que o vemos embarcar em uma jornad em que suas certezas desmoronam e sua própria vida passa a estar em perigo.  

Escolhi este livro para o DL por acreditar que o contexto histórico iria me agradar, e acertei em cheio (minha outra opção era Dexter – que eu pretendo ler em outro momento). O livro é ótimo. A narrativa é ágil, mas não tão frenética quanto nos típicos thrillers americanos, o que permite maior desenvolvimento da história e principalmente do personagem principal. E o final do livro é surpreendente.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Marina - Carlos Ruiz Zafón (Desafio Literário 2012)

Esta postagem é parte do Desafio Literário 2012, que no mês de fevereiro tem como tema Nome Próprio (de pessoas).


Sinopse: “Neste livro, Zafón constrói um suspense envolvente em que Barcelona é a cidade-personagem, por onde o estudante de internato Óscar Drai, de 15 anos, passa todo o seu tempo livre, andando pelas ruas e se encantando com a arquitetura de seus casarões. É um desses antigos casarões aparentemente abandonados que chama a atenção de Oscar, que logo se aventura a entrar na casa. Lá dentro, o jovem se encanta com o som de uma belíssima voz e por um relógio de bolso quebrado e muito antigo. Mas ele se assusta com uma inesperada presença na sala de estar e foge, assustado, levando o relógio. Dias depois, ao retornar à casa para devolver o objeto roubado, conhece Marina, a jovem de olhos cinzentos que o leva a um cemitério, onde uma mulher coberta por um manto negro visita uma sepultura sem nome, sempre à mesma data, à mesma hora. Os dois passam então a tentar desvendar o mistério que ronda a mulher do cemitério, passando por palacetes e estufas abandonadas, lutando contra manequins vivos e se defrontando com o mesmo símbolo - uma mariposa negra - diversas vezes, nas mais aventurosas situações por entre os cantos remotos de Barcelona. Tudo isso pelos olhos de Oscar, o menino solitário que se apaixona por Marina e tudo o que a envolve, passando a conviver dia e noite com a falta de eletricidade do casarão, o amigável e doente pai da garota, Germán, o gato Kafka, e a coleção de pinturas espectrais da sala de retratos. Em Marina, o leitor é tragado para dentro de uma investigação cheia de mistérios, conhecendo, a cada capítulo, novas pistas e personagens de uma intrincada história sobre um imigrante de Praga que fez fama e fortuna em Barcelona e teve com sua bela esposa um fim trágico. Ou pelo menos é o que todos imaginam que tenha acontecido, a não ser por Oscar e Marina, que vão correr em busca da verdade - antes de saber que é ela que vai ao encontro deles, como declara um dos complexos personagens do livro.”


Conheci o autor Carlo Ruiz Zafón há cerca de três anos quando li “A sombra do vento” e fiquei apaixonada por aquele livro. É sensacional. Pouco tempo depois li outro livro do autor “O jogo do anjo” e acabei me decepcionando bastante, mas custei a acreditar que era do mesmo autor que havia me encantado pouco tempo antes. Achei o livro muito “apressado”, a ligação entre as histórias não me convenceu, enfim esperava bem mais. Até que no final do ano passado foi lançado um novo livro do autor no Brasil, “Marina”, que é uma história que ele escreveu anos antes de seus maiores sucessos, além de ser uma história mais voltada para o público infanto-juvenil. Acabei comprando  o livro para dar mais uma chance ao autor e logo depois disso saíram os temas do DL 2012, assim acabei decidindo esperar uma pouco para lê-lo no mês de nomes próprios.
 
 
O livro conta a história de Oscar Drai, um adolescente que vive em um internato em Barcelona e que gosta de vagar pelas ruas para explorar a cidade. Numa dessas andanças ele acaba conhecendo Marina. Ela leva Oscar para uma visita a um cemitério onde eles avistam uma dama vestida de negro depositar uma rosa em um túmulo sem nome que tem apenas um desenho de uma borboleta negra.  A partir daí os dois jovens passam a investigar a história por trás daquele gesto. Isso levará os dois a uma grande aventura repleta de mistérios.
 
 
A forma com Zafón escreve é bastante envolvente, os cenários são bem descritos, os personagens são bem cativantes, mas ainda assim o livro não me encantou. Acho que a conexão entre as duas histórias não aconteceu de forma plausível. Não consegui descobrir onde estava a motivação para aquela busca incessante que os dois travaram. Outra coisa que me incomodou foi que os personagens secundários entregavam tudo muito fácil àqueles dois adolescentes curiosos. É um bom livro, mas achei o conjunto da obra um tanto forçado. Mas vou pensar que isso se deve a imaturidade do autor quando escreveu o livro.
Agora ficou me perguntando se o fenomenal “A sombra do vento” não foi mais um acerto ocasional do que realmente a obra de um grande escritor. Quero acreditar que não.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore

Excelente video para nos lembrar do poder das histórias. Simplesmente lindo.


The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore from Moonbot Studios on Vimeo.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Grandes Esperanças – Charles Dickens

Sinopse: A vida de Pip, órfão criado pela irmã num ambiente de pobreza, é radicalmente alterada quando um misterioso benfeitor lhe doa uma fortuna. Sua mudança para Londres, o esforço para tornar-se um cavalheiro, as grandes esperanças e certos dilemas morais tornam este romance de Dickens leitura inesquecível.


O livro começa narrando a história da infância de Pip, um menino órfão de sete anos que é criado por uma irmã bem mais velha, que o trata com extrema violência, e pelo marido dela Joe, que pode ser considerado exatamente o oposto, um homem doce e honrado, e extremamente carinhoso com seu “amigão” Pip. O dia em que ele encontra um condenando fugindo da polícia no brejo próximo a sua casa irá marcar sua vida. Vivendo em um ambiente de pobreza em uma pequena cidade a única perspectiva de Pip é tornar-se aprendiz na ferraria de Joe. Até que um belo dia, o advogado Mr. Jaggers informa Pip que um benfeitor, que exige anonimato, irá financiar seus estudos para que este se torne um cavalheiro e irá lhe doar sua fortuna, dando então a ele grandes esperanças.
A escrita de Dickens é absolutamente encantadora, fazendo com que você se envolva profundamente com Pip, sinta cada uma de suas dores, compartilhe seu remorso e se revolte com tamanha crueldade com que ele é tratado. É um livro triste, mas poucas vezes li um livro tão belo. Não é em vão que é considerado um dos maiores clássicos da literatura inglesa.

sábado, 7 de janeiro de 2012

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Mil dias na Toscana - Marlena de Blasi (Desafio Literário 2012)

Esta postagem é parte do Desafio Literário 2012, que no mês de janeiro tem como tema Literatura Gastronômica.


Sinopse: "Há alguns anos, quando se conheceram, Marlena e Fernando se apaixonaram à primeira vista e começaram a viver uma história de amor que mais parecia um conto de fadas. Agora, decidem que chegou o momento de dar adeus a Veneza, onde tudo começou, e partem em busca de uma vida mais tranquila.
O destino escolhido é San Casciano dei Bagni, um vilarejo com 200 habitantes, fontes termais e olivais centenários. De início, Fernando está mais empolgado do que Marlena. No entanto, nesse pedaço de terra onde a Toscana, a Úmbria e o Lácio se encontram, as amizades amadurecem à mesa, em torno de refeições gloriosas regadas a vinho tinto. O que poderia ser melhor para uma chef de cozinha?
Novamente, Marlena e Fernando vivem um caso de amor à primeira vista. Dessa vez pela aldeia e pela vida no campo, pelos vinhos artesanais e pela esplêndida cozinha, pelo céu toscano e pelos sinos da igreja local. Mas, acima de tudo, pelo velho Barlozzo, que os recepciona, os adota e, aos poucos, também se apaixona por eles.
Guiados pelo “duque”, eles descobrem tabernas rústicas, onde o jantar é qualquer coisa que tenha sido colhida ou caçada naquele dia; participam da vindima; visitam festivais sazonais; catam castanhas no bosque; saem para caçar trufas e cogumelos selvagens; sobem em árvores para apanhar azeitonas, uma a uma, e depois experimentam o azeite recém-espremido sobre um pão simples de casca crocante.
À medida que o afeto entre eles vai crescendo, Barlozzo começa a mostrar suas feridas abertas e a revelar seus segredos mais profundos. Um deles tem a ver com Floriana, uma linda e agradável senhora que logo se torna amiga inseparável de Marlena.
Ambientado num dos lugares mais bonitos do planeta, Mil dias na Toscana é uma história sobre um estilo de vida simples, doces paixões, amizades e refeições compartilhadas. E, acima de tudo, é uma história de amor verdadeiro – um amor que não tem idade nem fim." (Editora Sextante)
Escolhi este livro para o desafio porque a pouco mais de um ano li outro livro da Marlena de Blasi - “Mil dias em Veneza”, e gostei bastante. Pouco depois soube do lançamento do que poderíamos chamar de uma “continuação” da história o que me interessou, mas por motivos que a razão desconhece fiquei enrolando para comprar o livro. Então quando saíram os temas do Desafio não foi difícil definir qual seria o livro deste mês.

No primeiro livro Marlena (chef de cozinha e crítica gastronômica) nos conta a história (real) de como se apaixonou por um veneziano, Fernando, e largou sua vida nos Estados Unidos para ir se casar com Fernando e viver em Veneza. Já em “Mil dias na Toscana”, ela nos conta como eles decidiram deixar, sua vida “segura” em Veneza, e partiram para um recomeço em um vilarejo na Toscana em “busca de uma vida mais humana”. Se “Mil dias em Veneza” pode ser considerado uma celebração do amor, este “Mil dias na Toscana” é uma celebração da vida e seus pequenos, e maravilhosos, encantos.

No início, Marlena se mostra bastante reticente e insegura com a mudança, ao contrário de Fernando, que finalmente deixou para trás os fantasmas que o perseguiram durante toda a vida. Lá, eles encontram o velho Barlozzo (um personagem encantador), que vai introduzindo-os na vida do lugar. Vida esta que gira em torno dos eventos relacionados a vida no campo, como a vendemmia (colheita das uvas) e a colheitas das azeitonas.

Acompanhamos como ela vai penetrando na vida do vilarejo e se deixando encantar por ele. Um lugar onde a vida gira em tono da boa mesa e de um bom vinho. As descrições dos pratos preparados por ela são extremamente detalhadas e capazes de deixar qualquer um com água na boca. Várias das receitas estão no livro, mas não acho que vou me arriscar a preparar qualquer uma delas (são um tanto complicadas).

O texto é leve e escrito de uma forma sutil e bem gostosa de ler. No entanto acho que o final foi um tanto abrupto, o segredo de Barlozzo (mencionado inclusive na sinopse) poderia ter sido mais trabalhado. Fica a sensação de que faltou algo. Mas ainda assim o livro é bom, mas confesso que me encantei mais com o “Mil dias em Veneza”.
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