sexta-feira, 23 de abril de 2010

A Estrada - Cormac McCarthy


“Quando ele acordava na floresta no escuro e no frio da noite, estendia o braço para tocar a criança adormecida ao seu lado. Noites escuras para além da escuridão e cada um dos dias mais cinzento do que o anterior. Como o início de um glaucoma frio que apagava progressivamente o mundo. Sua mão subia e descia de leve com cada preciosa respiração. Removeu a lona de plástico e se levantou em meio às roupas e cobertas fedorentas e olhou para o leste em busca de alguma luz, mas não havia nenhuma. No sonho do qual acordara ele andava a esmo numa caverna onde a criança o levava pela mão. A luz deles brincando sobre as paredes úmidas de rocha calcária. Como peregrinos numa fábula engolidos e perdidos nas entranhas de alguma besta de granito. Buracos profundos na pedra onde a água gotejava e cantava. Contando no silêncio os minutos da terra e suas horas e dias e os anos sem cessar...” 
(As duas capas do livro lancadas no Brasil - a do filme e a original - fiz questão de comprar  com a capa do filme só por causa do Viggo Mortensen...)
SINOPSE: Num futuro não muito distante, o planeta encontra-se totalmente devastado. As cidades foram transformadas em ruínas e pó, as florestas se transformaram em cinzas, os céus ficaram turvos com a fuligem e os mares se tornaram estéreis. Os poucos sobreviventes vagam em bandos. Um homem e seu filho não possuem praticamente nada. Apenas uns cobertores puídos, um carrinho de compras com poucos alimentos e um revólver com algumas balas, para se defender de grupos de assassinos. Estão em farrapos e com os rostos cobertos por panos para se proteger da fuligem que preenche o ar e recobre a paisagem. Eles buscam a salvação e tentam fugir do frio, sem saber, no entanto, o que encontrarão no final da viagem. Essa jornada é a única coisa que pode mantê-los unidos, que pode lhes dar um pouco de força para continuar a sobreviver. A Estrada representa uma mudança surpreendente na ficção de Cormac McCarthy e talvez seja sua obra-prima. Mais que um relato apocalíptico, é uma comovente história sobre amadurecimento, esperança e sobre as profundas relações entre um pai e seu filho.

A estrada talvez seja o livro mais difícil que eu li até hoje. Senti-me completamente esgotada e sem forças ao final da leitura, além de ter chorado muito. Mas não porque o livro seja ruim, muito pelo contrário. O livro é FANTÁSTICO. É de uma beleza selvagem, chocante, cruel e perturbadora. Emocionante.

É um livro que se lê com o coração apertado, que sufoca. E que sustenta com força seu único objetivo – o que o futuro reserva a um pai e seu filho que procuram manter o mínimo de decência e ética num mundo em que o único desafio é sobreviver. Não é um livro sobre o fim do mundo, mas sobre o que acontece depois deste. Aliás, em nenhum momento encontramos a explicação para o que ocorreu, simplesmente aconteceu, e isto não faz diferença na história. O que importa são aqueles dois seres que restaram, "cada um o mundo inteiro do outro."

É uma história que parte o coração, mas que serve como advertência contra os horrores que assombram a humanidade. Mais que um relato sobre o "apocalipse", é uma historia sobre a relação de amor de pai e filho num mundo em a esperança não existe e o que resta é apenas um pesadelo constante.

PS: Agora preciso começar a me preparar psicologicamente para o filme...

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