segunda-feira, 19 de abril de 2010

As Virgens de Vivald - Barbara Quick


Sinopse: A Veneza do século XVIII, do alto de seu esplendor e decadência, é recriada pela autora deste romance. Personagens e contexto históricos construídos a partir de pesquisa e imaginação literária numa história de desejo e intriga, verdades ditas pela metade e mentiras venenosas. 'As Virgens de Vivaldi' apresenta a história de Anna Maria dal Violin, uma personagem real que viveu em Veneza no início do século XVIII. Orfã moradora do Ospedale dela Pietà - orfanato onde as crianças recebem orientação musical - Anna Maria, apesar de muito jovem, desperta o interesse de Vivaldi devido à sua excelente habilidade com o violino. A protagonista, que narra a história já na idade adulta e por meio de cartas que escreveu quando criança, é talentosa e trabalha arduamente no aprimoramento de suas qualidades artísticas. Contudo seus maiores desejos são - descobrir quem é sua mãe biológica e conhecer o mundo fora do orfanato. Isto a leva a fugir para fora de sua casa e cair no submundo de Veneza, cidade onde durante metade do ano as pessoas usam máscaras e se enclausuram no anonimato do carnaval. 'As Virgens de Vivaldi' lança um olhar no interior da fonte da herança musical de Vivaldi, que se entrelaça com a história de uma jovem à beira da maturidade em lugar e época marcantes.

O livro narra a história de Anna Maria dal Violin, que tem na paixão pela música a sua razão de viver. Até que aos quatorze anos, incentivada por uma das irmãs da Pietà, passa a escrever cartas para a mãe que a abandonou, o que desperta um desejo incontrolável de ir em busca de seu passado.
"Será que alguma vez ocupei seus pensamentoscomo a senhora ocupou os meus? Será que meus olhos a fariam lembrar da criança que era quando me viu pela última vez?"
"Chego a acreditar que a música é a única companheira, a única professora, a única progenitora, a única amiga que nunca me abandonará. Todo esforço que lhe dedico é recompensado. Ela nunca despreza o meu amor, nunca deixa de responder às minhas perguntas. Eu dou, e ela retribui. Eu bebo, e - como a fonte do conto persa - ela nunca seca. Toco, e ela me fala dos meus sentimentos, e sempre me diz a verdade."
A história tem como pano de fundo passagens da vida do mestre e compositor Antonio Vivaldi _ O Padre Vermelho, que se recusa a rezar missas, e é o professor de Annna Maria na Ospedalle della Pietà _ e a estonteante e intrigante Veneza do séc. XVIII, em que durante 6 meses do ano tudo é permitido devido a sedução do anonimato proporcionado pelas máscaras do Carnaval.
O livro é escrito de uma forma delicada e intensa. Anna Maria é uma personagem cativante, doce e forte. Sua luta em busca da verdade sobre sua origem, enfrentando todas as regras e padões da sociedade, ao mesmo tempo em que luta para se aperfeiçoar na atre do violino, tornando-se a aluna favorita de Vivaldi, graças ao seu talento incomparável é comovente.
Uma das minha passagens favoritas é quando ela descreve o medo ao fazer uma apresentação solo pela primeira vez:  
"Aprendi, desde então, que a maneira de dar o melhor de si numa situação como aquela, não se deixando prejudicar por todos os medos que sobrevêm, é fazer de conta que se está tocando para alguém querido em que se confia, que sabe melhor que qualquer outra pessoa no mundo como ouvir aquela música. Só então se dá a cada nota a medida certa de doçura e sentimento. Só então se passa o arco nas cordas com o coração aberto e a certeza e o envolvimento necessários para fazer com que a múscia soe como se fosse a primeira e última vez que um composição digna dos ouvidos de Deus está sendo executada." 
Um livro tocante e inspirador. Leitura mais que recomendada.

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