segunda-feira, 8 de março de 2010

Il Divino...

Há alguns anos comecei a nutrir um interesse muito especial pelo obra daquele que para mim é o maior artista da renascença (na verdade o maior de toda a história): MICHELANGELO BUONARROTI. Inicialmente, este interesse surgiu pelo fato de ver refletida em suas obras uma perfeição anatômica que me deixou atordoada, assim a paixão que eu já possuía pela anatomia em si passou a adquirir contornos mais amplos. Com o passar do tempo, comecei a procurar por outras obras, conhecer sua biografia, e aquilo que era uma mera curiosidade tornou-se uma verdadeira paixão. Assim, passei a buscar todo tipo de informação possível, na internet ou por revistas e livros, tanto que hoje há uma secção na minha estante dedicada exclusivamente a ele. 

 
(Meus livros sobre Michelangelo e o Renascimento - detalhe decorativo a bonequinha super fofa da Madame Bovary)

Gostaria de tentar expor com palavras aquilo que as obras de Michelangelo provocam em mim, mas é uma verdadeira avalanche dos mais diversos sentimentos que são impossíveis de serem definidos com palavras... acho que posso apenas me limitar a dizer que poucas coisas despertam algo semelhante, talvez somente Jeff Buckley.

No meio disto tudo, um dos livros que encontrei é o “Michelangelo: paintings, sculpture and architeture” de Ludwing Goldscheider (importado). Em minha modesta opinião, este é um livro indispensável para os amantes deste gênio. O livro foi originalmente publicado em 1953, e continua sendo o único livro que contém todas as obras do artista (ou quase).


(Capa do livro)

O livro traz inicialmente um resumo sobre a vida de Michelangelo e o contexto em que foram criados seus principais trabalhos, e então apresenta uma sequência de fotos das pinturas, esculturas e projetos arquitetônicos criados por ele. O livro contém mais de 200 fotos, porém somente 11 são coloridas.

Quando se trata das esculturas não há o menor problema, pelo contrário, pois neste caso as fotos em preto e branco dão um toque especial, deixam transparecer o verdadeiro sentimento das peças. E é exatamente aí que reside o grande mérito do livro, pois há fotos das esculturas nos mais diversos ângulos, permitindo quase que um giro de 360° em várias peças. São fotos únicas e imperdíveis.

(Madona de Bruges vista por vários ângulos)
 
O problema começa quando falamos das pinturas, pois elas ficam completamente desfiguradas, já que uma das grandes características de Michelangelo como pintor era o uso marcante das cores.
(O estrago feito com o Teto da Capela Sistina _ acima _ e com O juízo Final _ abaixo)
Mas voltando a parte boa, outro grande ponto positivo do livro são as fotos dos trabalhos de Michelangelo como arquiteto, que frequentemente é até um pouco esquecido. Há fotos inclusive dos detalhes decorativos, das vistas internas e externas de diversos projetos, muitas inclusive que não havia visto em nenhum outro lugar.

Além disso, o livro traz ainda fotos de vários modelos em cera, e de trabalhos que em algum momento foram supostamente atribuídos ao artista. O livro seria realmente completo não fosse a falta dos desenhos e esboços, que foram completamente ignorados.

Mas mesmo com alguns problemas é um livro super recomendado.

segunda-feira, 1 de março de 2010

NARN I CHÎN HÚRIN - Os Filhos de Húrin



Há alguns meses recebi a noticia de que finalmente seria lançado no Brasil um dos livros póstumos de J.R.R. Tolkien: “Os Filhos de Húrin”. E claro, como grande fã de Tolkien, não poderia deixar de ler. De todos os contos sobre os Dias Ancestrais da Terra Média, esta foi a que Tolkien trabalhou por mais tempo, reescrevendo-a diversas vezes. A história de Túrim Turambar já havia sido apresentada no Silmarillion e nos Contos Inacabados, mas ainda de forma incompleta, agora o filho do autor, Christopher Tolkien, consegui reunir as diferentes versões em u texto único, de narrativa contínua, e sem as interferências editoriais presentes anteriormente.

SINOPSE:
Antes da lendária era de O Senhor dos Anéis, um poderoso espírito dominado pelo Senhor do Escuro ameaça a vida dos Filhos de Húrin.
Morgoth, o primeiro Senhor do Escuro, habita na vasta fortaleza de Angband, ao norte; e à sombra do temor de Angband e da guerra travada por Morgoth contra os elfos, os destinos de Túrin e de sua irmã Niënor serão tragicamente entrelaçados.
A vida breve e apaixonada dos dois irmãos é dominada pelo ódio visceral que Morgoth tinha deles, os filhos de Húrin, o homem que ousara desafiá-lo frente a frente. Contra eles, Morgoth envia seu mais temível servo, Glaurung, um poderoso espírito na forma de um enorme dragão de fogo sem asas, numa tentativa de cumprir sua maldição e destruir os filhos de Húrin.
Sem dúvida trata-se do mais sombrio e doloroso de todos os contos de Tolkien, mas nem por isso o livro torna-se menos belo. Na trama, Húrin, um dos grandes guerreiros humanos dos primeiros dias, junta-se aos elfos em uma grande batalha contra Morgoth, o primeiro Senhor do Escuro, e acaba sendo capturado. Levado para as profundezas da fortaleza de Angband, recusa-se a trair seus companheiros e desafia Morgoth, assim este amaldiçoa Húrin e toda sua família. A partir daí, passamos a acompanhar os passos do destino errante de Túrin, de seus esconderijos na floresta, a perseguição e a resistência mesmo com esperança cada vez menor. Mas, mais do que uma guerra do bem contra o mal, trata-se de uma batalha contra si mesmo, pois por mais que a maldição imposta seja forte, a impetuosidade, arrogância e orgulho de Túrin e sua família acabam fazendo que estes caiam na rede de mentiras e manipulações de Glaurung conduzindo-os para um fim trágico, pois nem todas as histórias têm finais felizes.
Mais uma vez os valores e as relações humanas são ponto fundamental da história: a impulsividade e beliscimo de Túrin, a arrogância e o orgulho de Morwen, a amizade e o amor de Beleg, o senso de justiça de Turgon, o rancor de Morgoth pelo homem que ousou desafiá-lo, mas acima de tudo de esperança mesmo contra todas as adversidades.
Enfim, mais um livro indispensável do mestre da literatura fantástica J.R.R.Tolkien.

PS: As ilustrações de Alan Lee, que já ilustrou outras obras do autor e fez parte da equipe de produção da trilogia cinematográfica, são um complemento de luxo a uma história por si só já fascinante.



  
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